Site Cultural de Ovar

Exposição
26 janeiro a 31 dezembro
Inauguração 26 jan | 17h00

SACARIA 4.7



De 26 de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2019

A arte da sacaria – o fabrico de sacos de papel – disseminou-se no concelho de Ovar a partir do séc. XX, com maior incidência das unidades de produção na zona norte, nas freguesias de Maceda e Esmoriz, particularmente no lugar de Gondesende, acompanhando a multiplicação de unidades fabris produtoras de papel na região.
No concelho de Ovar, a indústria papeleira estabeleceu-se na primeira metade do século XIX, com a fundação de duas importantes unidades de fabrico de papel pardo, para embrulho de baixa qualidade – a Fábrica de Papel de Arada e a Fábrica de Papel de S. Cristóvão de Ovar. Mas é durante todo o séc. XX que se manifesta o incremento do número de unidades produtoras ou transformadoras de papel no concelho: em Ovar, a Fábrica de Papel do Casal, a Fábrica de Papel da Madria, a Fábrica de Papel do Carril, a FAPOVAR, a Fábrica de Papel do Ave e a Indupel; em Arada, a Fábrica de Papel e Papelão Aradense e a Fábrica de Papel Ferreira Jorge; em Esmoriz, a Fábrica Simão Rocha e a Fábrica de Papel Irmãos Marques; e em Cortegaça, a Fábrica de Papel de Cardielos.
Para tal, contribuiu a existência de condições favoráveis na resposta às suas necessidades de produção e desenvolvimento, nomeadamente a proximidade dos cursos de água, a qualidade das águas, e a existência de uma rede de comércio de trapos (de linho ou de algodão), e de papel velho, usados como matérias-primas para o fabrico de papel, recolhidas nos vários concelhos do distrito de Aveiro, porta a porta, por mulheres denominadas farrapeiras.
O fabrico dos sacos de papel nas sacarias constituía também, um ofício exclusivamente feminino, realizado pelas saqueiras, que, de forma rápida e expedita, e com recurso a equipamentos bastante rudimentares, produziam uma enorme variedade de tipologias de sacos, que poderiam variar no seu tamanho, tendo em conta a sua capacidade de peso no género a embalar, assim como no tipo de papel usado, de maior ou mnor qualidade.
Estas embalagens foram durante décadas utilizadas nas mercearias para acondicionar arroz, açúcar, feijão, café, e outros produtos, que eram pesados e vendidos a granel, mas a partir da década de 60 do séc. XX, com a afirmação da indústria dos plásticos, foi-se assistindo a uma decadência progressiva das sacarias e à substituição progressiva dos sacos de papel, tendo a última unidade de produção encerrado na década de 80 do séc. XX.
Paulatinamente assiste-se também à decadência da indústria de produção de papel, com o encerramento da última unidade em Arada, no ano de 2017, apenas subsistindo até à atualidade unidades de transformação de papel, em produtos como cartão canelado, embalagens de cartão, etc.

 

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