Site Cultural de Ovar

AMARAMÁLIA



19 de novembro de 2021

“O FADO NASCEU A BORDO, AOS RITMOS INFINITOS DO MAR, NAS CONVULSÕES DESSA ALMA DO MUNDO, NA EMBRIAGUEZ MURMURANTE DESSA ETERNIDADE DA ÁGUA.”
Pinto de Carvalho in História do Fado

 

As hipóteses sobre a origem do Fado são muito diversas. Para uns, as suas raízes estão no Oriente, para outros nas canções dos escravos levados para o Brasil que cantavam ao ritmo murmurante do oceano. Gosto da imagem nostálgica de um Fado nascido em alto mar. Mas, enquanto coreógrafo, o que me seduz é sobretudo a emoção e a força dramática com que chegou até nós na voz divina de Amália.
Neste ano em que se celebram os cem anos do nascimento de Amália Rodrigues, não podia deixar de me associar a estas tão merecidas comemorações com a alegria de voltar ao palco da Fundação Gulbenkian com uma obra que marcou uma fase tão importante da minha carreira.
O processo de trabalho dessas obras teve sempre, do ponto de vista musical, a mesma linha de organização: os fados escolhidos foram enquadrados numa malha musical formada por uma colagem de diversas obras musicais que surgirão nos interstícios. AMARAMÁLIA 2020 começará como uma projeção imaginária, uma cerimónia sem tempo e personagens definidas. O seu espaço tanto poderá ser a geometria obscura
das vielas e tabernas de Lisboa — na sua penumbra habitada —, como uma janela debruçada sobre a claridade de um lugar sem nome.
As flutuações do destino e das paixões humanas, a tristeza, a separação, a estranheza, o voo e o grito pela liberdade, ressurgirão como a expressão de um sentimento de vida incerta. O discurso teatral acompanhará o espírito de cada um dos poemas escolhidos —, ao mesmo tempo que se abandonará á voz de Amália, à sua emoção e às suas múltiplas interpretações —, como matéria-prima do seu sentido e da sua própria expressão coreográfica. O que, principalmente, me move ao abordar esta nova obra é prestar uma homenagem sincera a essa extraordinária e inesquecível Artista que tornou o fado universal e orgulho do nosso povo.
Vasco Wellenkamp


Vasco Wellenkamp direção artística, coreografia
Cláudia Sampaio e Liliana Mendonça consultoria artística
Daniel Gorjão consultor dramatúrgico
Cláudia Sampaio ensaiadora
Fados cantados por Amália Rodrigues música
Luís Santos e Wilson Galvão cenografia
Samuel Garcia assistente de cenografia
Vasco Wellenkamp desenho de luz
Teresa Martins figurinos
Cláudia Alfaiate produção
Anabela Cachinho assistência à produção
Bernardo Beja gestão administrativa
Rita Carpinteiro direção de cena
Beatriz Mira, Carlos Silva, Francisco Ferreira, Ísis Magro de Sá, Maria Mira, Miguel Santos, Ricardo Henriques,
Rita Baptista, Rita Carpinteiro, Sara Casal, Tiago Barreiros bailarinos
AMARAMÁLIA 2020 Fundação Calouste Gulbenkian apoio ao Espetáculo
República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes da CPBC apoio
Allianz Portugal principal Parceiro
RHmais apoio às digressões
Câmara Municipal de Lisboa apoio