No fim do século XV começaram a circular na Península Ibérica os primeiros livros impressos, entre os quais se destacavam os almanaques, com informações sobre o movimento dos astros que eram cruciais para as navegações e para os plantios. Contendo dados de todo o tipo, misturavam conhecimento científico milenar, eternas superstições e sabedoria popular.
O Lunário Perpétuo, do séc. XVII, e o Almanaque Perpétuo, do séc. XV, são dois desses volumes, que inspiraram o tema, o título e a forma deste espetáculo que teve como ponto de partida uma residência artística onde o elenco partilhou modos de vida, espaços que habitam e a relação que cada um tem com as coisas invisíveis, as coisas que não podemos tocar, mas que nos tocam continuamente, tal como a lembrança de pessoas que já partiram ou as recordações de viagens por países distantes.
Sem poder revelar mais de antemão, pode adiantar-se para já que é esse tipo de mediunidade que se mostra neste Lunário. Não é bruxaria, atenção! Mas é quase... Se for toda a gente queimada, já sabem por que razão e já podem calcular por quem.
texto Jorge Louraço Figueira encenação Eduardo Dias produção e técnica Teatro Municipal de Ourém cenografia turma do 11.º ano do curso com Plano Próprio de Design, Cerâmica e Escultura do Colégio de São Miguel elenco António Sousa, Arminda Gomes, Filipe Pereira, Gracinda Pereira, Guida Maria, Luís Delgado, Maria Isabel Pinho, Maria Júlia Dias, Maria Patriarca, Maria Natália Santos e Rosa Neves