Luís Vaz de Camões era tão interessante como as suas próprias obras. Figura lendária da natação renascentista — para salvar uma obra, inventou o estilo mariposa só com um braço —, defendia, porém, as vantagens poéticas do surf e do paddling. No erotismo era contra a luta de classes, não fazendo grande distinção entre miúdas do povo e senhoras da alta.
Quanto a medidas, também era tolerante: preferia a nova, mas não desdenhava a velha. Era a favor de relações interculturais e do amor ao ar livre.
Profundamente religioso, criou uma ilha toda dedicada ao culto da deusa Vénus. (Infelizmente, não sabia desenhar mapas e ninguém faz ideia de onde é que fica a ilha.) Viajante incansável e apaixonado da vela, preferia destinos exóticos como a Índia e a China, se bem que não desperdiçasse uma escapadinha a Marrocos.
Leitor compulsivo, sabia de cor versos de Petrarca e de Virgílio, que às vezes traduzia sem pagar direitos de autor. Fazia rimas com facilidade, mas usava palavras difíceis como “chamalote”, “desconcerto” ou o próprio verbo “perecer” no imperativo.Tinha uma veia filosófica e moralista, ao que parece aprendida no convívio assíduo com a terceira idade nos condomínios do Restelo.Amigo pessoal do rei Dom Sebastião, deu-lhe conselhos muito úteis, que permitiram mais tarde inventar o sebastianismo, a única filosofia totalmente “made in Portugal”.
Em cerca de 60 minutos, numa notável reconstituição histórica realista das conversas de Camões (Simão Rubim) com o seu escudeiro (João “Jau” Marta) — baseada em gravações conservadas na Torre do Tombo —, inspire-se com o Camões lírico e épico. Uma produção cómico-pedagógica de Simão Rubim e João Marta.