III JORNADAS DINISIANAS
Júlio Dinis – um escritor-médico ou um médico-escritor: A ciência na obra dinisiana
DA «ELANGUESCEDORA VIDA DA CAPITAL» AO «COMPLETO VIVER DE ALDEIA»: REPRESENTAÇÕES DO CAMPO E DA CIDADE NA NARRATIVA DE JÚLIO DINIS
Na terceira edição das Jornadas Dinisianas, será abordada a temática das representações do mundo urbano e da vida rural na obra de Júlio Dinis, refletindo acerca da sua relação com a construçãodo “projeto literário” dinisiano. A temática será abordada do ponto de vista literário, num contexto mais alargado, permitindo uma visão sincrónica das representações do espaço na Literatura Portuguesa de Oitocentos.
As Jornadas Dinisianas são constituídas por um conjunto de atividades formativas que partem do contexto de produção e de algumas linhas temáticas da obra de Júlio Dinis para uma reflexão sobre grandes questões contemporâneas. Haverá sempre uma perspetiva literária complementada por perspetivas históricas, sociológicas, económicas, políticas e ambientais.
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📌13 NOV — SEX
🕒14h00 - Escola de Artes e Ofícios
Acolhimento secretariado
🕒14h15 - Escola de Artes e Ofícios
Sessão de abertura
Prof.ª Doutora Ana Maria S. Ferreira (Coordenadora)
Dr. Nuno Gomes (Diretor do Agrupamento de Escolas de Ovar Sul)
Dr. Domingos Silva (Presidente da Câmara Municipal de Ovar)
🕒 14h30 - Escola de Artes e Ofícios
Apresentação do programa
Dr. José Licínio Pimenta (Diretor da Segurança Social do Centro Distrital de Aveiro - Instituto da Segurança Social, I. P.)
🕒14h45 - Escola de Artes e Ofícios
«O mundo para ele era Lisboa» - Cidade, campo e imaginário social em Júlio Dinis
Prof.ª Doutora Ana Maria S. Ferreira
Na narrativa de Júlio Dinis, cidade e campo não constituem apenas espaços de localização da ação: são espaços semanticamente carregados, associados a modos de vida, valores, relações sociais e horizontes de futuro. Entre a «elanguescedora vida da capital» e o «completo viver de aldeia», a oposição urbano/rural estrutura percursos de personagens, conflitos, escolhas e processos de transformação individual e coletiva.
Na presente comunicação, propomo-nos refletir acerca dessa semantização literária do campo e da cidade na obra narrativa de Júlio Dinis, relacionando-a com o imaginário social oitocentista e com uma tradição literária portuguesa e europeia que, desde a Antiguidade, atribui valores contrastantes à urbe e ao mundo rural. Entre a nostalgia do passado e a promessa do futuro, procurar-se-á perceber que valores e tensões se projetam, na ficção dinisiana, sobre os espaços onde vivem e se relacionam as suas personagens.
🕒15h45 - Escola de Artes e Ofícios
Modernidade e conservadorismo de Júlio Dinis
Prof.ª Doutora Maria Helena Santana (Professora Associada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Considerado escritor ‘de transição’, Júlio Dinis é também geralmente conotado com um certo conservadorismo, quer em termosestéticos quer ideológicos. Um olhar mais atento à sua produção romanesca tem vindo a resgatá-lo desse limbo, não isento de preconceitos. Pretende-se contribuir para sublinhar aspetos socioculturais e literários em que a modernidade do escritor se torna relevante.
🕒16h45 - Escola de Artes e Ofícios
Pausa para café
🕒17h00 - Escola de Artes e Ofícios
A Cidade do Porto em Uma Família Inglesa: Do cenário (pitoresco) à Personagem
Prof.º Doutor Nuno Resende (Professor no Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
Em Uma Família Inglesa, a cidade do Porto transcende a função tradicional de mero cenário para se afirmar como uma entidadeviva, cujas pulsações ditam o ritmo e a moral da narrativa dinisiana. Ao subtitular a obra como "Cenas da Vida do Porto", Júlio Dinis estabelece, desde logo, um pacto de cumplicidade com o território, transformando a urbe numa força atuante que molda o comportamento das personagens e define os seus conflitos.
Através de uma perspetiva que cruza a História e a Literatura, examinaremos como Dinis constrói uma "geografia dos afectos", onde o Porto é, simultaneamente, o espaço do trabalho árduo, do progresso liberal e do lazer cosmopolita. Questionar-se-á se a cidade não será, afinal, a personagem central da obra — uma entidade que, tal como os protagonistas humanos, atravessa processos de transformação, resistências e afirmação de identidade perante a modernidade. Em última análise, o Porto dinisiano surge como o verdadeiro "anjo bom" ou "mestre de cerimónias" que permite a síntese entre o pragmatismo britânico e o sentimentalismo português.
🕒18h00 - Escola de Artes e Ofícios
Debate
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📌14 NOV — SÁB
🕒 08h45 - Museu Júlio Dinis
Apresentação do programa do 2.º dia
Prof.ª Doutora Ana Maria S. Ferreira
🕒 09h00 - Museu Júlio Dinis
Viagem de autocarro Ovar/Porto
🕒 10h00 - Biblioteca Municipal Almeida Garrett - Porto
Tesouros Dinisianos Apresentação de espólio “dinisiano” da Câmara Municipal do Porto
Drª. Patrícia Campos (Técnica Superior da Câmara Municipal do Porto)
A Câmara Municipal do Porto detém espólio e documentos relacionados com Júlio Dinis (pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho) através das suas instituições culturais, nomeadamente a Biblioteca Pública Municipal do Porto e o Arquivo Municipal do Porto, que guardam manuscritos, primeiras edições, registos históricos e fotográficos do autor.
Além disso, o município tem promovido espólios e aquisições documentais ligadas ao escritor (como conjuntos de manuscritos e exposições integradas no Museu da Cidade).
🕒 11h00 - Visita urbana comentada sobre "O Porto de Júlio Dinis"
Breve percurso dinisiano pela cidade do Porto
Drª. Graça Lacerda Almeida (Técnica Superior da Câmara Municipal do Porto)
Neste percurso pedonal redescobrimos o Porto Oitocentista através do olhar e da sensibilidade de Júlio Dinis, aliás Joaquim Guilherme Gomes Coelho - médico e escritor.
Destacamos o seu livro “Uma Família Inglesa” em que a ação se desenrola no Porto e leva a conhecer narrativas de uma sociedade influenciada por comerciantes ingleses.
🕒 12h50 - Porto
Viagem de autocarro Porto/Ovar
🕒 13h00 - Escola Secundária Júlio Dinis Ovar
Degustação almoço dinisiano comentado
Prof.ª Tânia Almeida (Curso Profissional Técnico/a de Restaurante/Bar - Agrupamento de Escolas de Ovar Sul)
Prof. Jorge Silva e Prof.ª Rosa Correia (Curso Técnico de Cozinha Pastelaria do Agrupamento de Escolas de Estarreja)
A ementa a propor poderia facilmente figurar numa das páginas dinisianas, pois as suas personagens vivem entre ceias rurais, convívio familiar e sabores da terra.
Assim, pretende-se encontrar o retrato do universo dinisiano: um banquete literário feito de simplicidade, ternura e humanidade, que continua a alimentar a memória da literatura portuguesa.
🕒 15h00 - Escola Secundária Júlio Dinis Ovar
Visita urbana comentada A Vila de Ovar em 1863 e Joaquim Guilherme Gomes
Dr. António França (Coordenador Técnico do Museu Júlio Dinis - Uma Casa Ovarense / Câmara Municipal de Ovar)
Entre 7 de maio e setembro de 1863, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, esteve hospedado em Ovar, na Casa dos Campos, a residência da sua tia paterna Rosa Zagalo Gomes Coelho, a convalescer de uma grave crise de tuberculose.
Pretende-se, numa visita comenta, revelar alguns dos espaços urbanos e rurais ainda preservados no casco de Ovar, descritos na correspondência de Joaquim Coelho, transpostos para os romances de Júlio Dinis e reportados para as cartas literárias de Diana de Aveleda.
🕒 16h00 - Museu Júlio Dinis
4.ª Comunicação Purgatório & Paraíso n’As Pupilas: A ruralidade como espaço de salvação
Dr. Joaquim Jorge de Carvalho (Investigador e Professor)
O romance As Pupilas do Senhor Reitor constitui um marco relevantíssimo na literatura portuguesa do século XIX. Num contexto de feroz combate entre consagrados autores românticos e naturalistas/realistas, a estreia de Júlio Dinis foi recebida com consensual respeito e admiração, decerto por se tratar de uma narrativa que conseguia, de modo natural, fugir à militância rígida em qualquer das correntes literárias litigantes, mas também por representar um olhar leve e lúcido sobre um certo Portugal profundo e autêntico, marcadamente rural.
🕒 17h00 - Museu Júlio Dinis
Concerto «Incertus Author»
Helder Sousa (cravo) e Ana Freijo (narração)
O concerto «Incertus Author» é o resultado de um projeto interdisciplinar em torno da música anónima para tecla seiscentista, contida em fontes manuscritas preservadas em arquivos portugueses. Este espetáculo incide sobre a potência criativa do anonimato, quer do ponto de vista da música, quer do ponto de vista do espaço, sendo adotado um novo género performático, que designamos como «concerto topófilo» - em homenagem a Gaston Bachelard, que cunhou o termo «topofilia» no seu célebre ensaio A Poética do Espaço. O que nos propõe, então, este novo género? Transformar o espaço num elemento ativo da experiência, convidando o público a ouvir, pensar e redescobrir os objetos e a memória que o habitam.
🕒 18h00 - Museu Júlio Dinis
Encerramento
Prof.ª Doutora Ana Maria Soares Ferreira (Coordenadora Científica das Jornadas Dinisianas)
Alexandre Rosas (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ovar
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Participação gratuita, lotação limitada, inscrição prévia obrigatória, sujeita a confirmação
Destinatários docentes dos grupos 200, 300 e 400
Organização Agrupamento de Escolas Ovar Sul e Câmara Municipal de Ovar
Produção Museu Júlio Dinis – Uma Casa Ovarense
Coordenação Prof.ª Doutora Ana Maria Soares Ferreira
Imagem João Católico
Apoio Câmara Municipal do Porto | CFIEMO – Centro de Formação Intermunicipal de Estarreja, Murtosa e Ovar | Agrupamento de Escolas de Estarreja | Musurgia - Associação Cultural | Ministério da Cultura, Juventude e Desporto - Direção-Geral das Artes | Antena 2
+ informação museujuliodinis@cm-ovar.pt | 256 581 378